A Perspectiva histórica da polícia e a desconfiança do cidadão.

Quando Sir Robert Peel criou a Polícia Metropolitana de Londres(‘Peelers’), ele estabeleceu uma série de princípios, um dos quais pode ser considerada a semente do policiamento comunitário: “… a polícia é o público e o público (forma) a polícia´.

Polícia de Londres no final do séc. XIX.

Por uma série de razões, a polícia perdeu de vista essa relação com o conceito central de organização do serviço policial. Os investigadores sugeriram que a época da reforma no governo( na inglaterra), que começou no início de 1900, juntamente com um movimento nacional para a profissionalização, resultou na separação da polícia do comunidade.

Os gestores e oficiais de polícia trabalhavam em turnos e áreas rotativos, levando-os muitas vezes a partir de uma localização geográfica para outra, até para se eliminar a corrupção. A administração também instituiu uma política de controle centralizado, destinado a assegurar o cumprimento de procedimentos padrão a fim de mostrar uma áurea de imparcialidade e profissionalismo.

Esse distanciamento social também foi reforçada pela evolução tecnológica.O crescente papel do automóvel substituiu a era da patrulha amigável pé oficial. Até a década de 1970, o contacto telefónico rápido com a polícia através do chamado de emergência  lhes permitiu responder rapidamente aos crimes. Respondendo a um grande número de chamadas para o serviço, no entanto, deixou a polícia pouco tempo para se evitar crimes ocorram.

Com a tecnologia de comunicações mais sofisticada isso  possibilitou que as chamadas sejam transmitidas quase instantaneamente, os agentes tiveram de responder a demandas de assistência, independentemente da urgência do
situação. Atender chamadas limitou severamenta a interação da polícia com a  comunidade. O advento do computador também contribuíu para a diminuição do contato com a polícia com a comunidade. As estatísticas levam em conta a quantidade de atendimento, em vez do tipo de serviço prestado ou os destinatários do serviço, e se tornou o foco de gestores e operadores de segurança pública.
Enquanto os computadores geravam dados sobre padrões e tendências da criminalidade, contados a incidência de crimes, aumentou a eficiência de reação, e calculado a rapidez e resultado da resposta da polícia, a resposta rápida se tornou um fim em si.

Patrulhamento aleatório também serviu para quebrar ainda mais o elo entre as comunidades e a polícia. A polícia foi instruído a alterar rotas constantemente, em um esforço para frustrar os criminosos. No entanto, os membros da comunidade também perderam a capacidade de prever quando eles podem ser capazes de interagir com a polícia local.

No Brasil a polícia sempre manteve um distanciamento da população até porque em sua grande parte foi um instrumento opressor. Um longa manus do poder coercitivo estatal.

Tal distanciamento entre polícia e população provoca uma desconhecimento e uma desconfiança quanto a atividade policial, Jaqueline Muniz bem revela essa cisma:

A falta de transparência dos procedimentos policiais gera suspeita e desconfiança de parte a parte, muitas vezes por desconhecimento de coisas que são óbvias para um dos lados, mas não para o outro. Abre-se com isso a porta para todo tipo de acidentes e incidentes entre policiais e cidadãos.Como resultado, a polícia tende a evitar o cidadão, o cidadão a polícia, um fugindo do outro porque nenhum dos dois sabe o que esperar ou tem segurança sobre o que fazer. Vê-se aqui um tipo de cumplicidade às avessas. É mais prudente para o policial chegar depois de um fato ocorrido, como é mais prudente para o cidadão só chamar a polícia depois que tudo o mais já foi tentado. Este estado de coisas vai minando a confiança pública na polícia, que é o requisito indispensável para o provimento da segurança públic ademocrática. E essa é a receita para o abandono da polícia pela sociedade.

Alguns colegas policiais  ainda não conseguem perceber que não é a força do policiamento reativo, GTOP, ROTAM, ROTA, BOPE, entre outros, que viabiliza a confiança na polícia, mas a proximidade, transparência, o planejamento e  a construção cientifica do saber policial é que vão formar a nova polícia.

 

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